Trabalhos Científicos
XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica - Porto Alegre 2014

Nevo azul celular gigante em localização não usual e simulando melanoma maligno: relato de caso

Tipo

Tipo: Mini-caso

Área: Outras Àreas

Autores

Autor

Tit.: Residente
Nome: Letícia Stella Gardini Brandão
Instit.: Instituto Lauro de Souza Lima

Co-autor #1

Tit.: Residente
Nome: Juliana Martins Prazeres Sousa
Instit.: Instituto Lauro de Souza Lima

Co-autor #2

Tit.: Residente
Nome: Ana Paula de Paiva Serrano
Instit.: Instituto Lauro de Souza Lima

Co-autor #3

Tit.: Residente
Nome: Gabriela Franco Marques
Instit.: Instituto Lauro de Souza Lima

Co-autor #4

Tit.: Doutor
Nome: Jaison Antônio Barreto
Instit.: Instituto Lauro de Souza Lima

Trabalho

Título

Nevo azul celular gigante em localização não usual e simulando melanoma maligno: relato de caso

Resumo

Fundamentos: O nevo azul celular é uma lesão pigmentada, benigna e localizada. É mais frequente em jovens, sendo mais comum em mulheres. Sua origem é desconhecida. Originalmente foi considerado uma forma clínica de melanoma. Apresenta-se como nódulo azul acinzentado de um a três centímetros de diâmetro, com superfície geralmente lisa, sendo a maior parte das lesões em localização de nádega, sacro ou couro cabeludo. O diagnóstico se baseia na histopatologia e imunohistoquímica, sendo positivo para CD34; e o tratamento corresponde à sua excisão. Motivo da apresentação: Apresentação em localização incomum da doença simulando um melanoma nodular maligno. Apresentação clínica do caso: Jovem, masculino, apresentando há 5 anos uma tumoração azulada em região dorsal de terceiro pododáctilo assintomática. À dermatoscopia não foram evidenciada estruturas. Realizado biópsia excisional com o diagnóstico de nevo azul celular. Discussão: O nevo azul celular constitui uma lesão geralmente solitária, assintomática, de causa desconhecida que merece atenção por poder simular um quadro de melanoma maligno. A incidência é maior em mulheres e com localização preferencial em nádegas, sacro e couro cabeludo, o que faz do caso descrito um caso incomum. O diagnóstico se baseia na histopatologia e imunohistoquímica para comprovação. O tratamento consiste na excisão da lesão e seguimento do paciente.

Descritores

Desc. 1: nevo azul celular
Desc. 2: nevo azul
Desc. 3: melanoma
Desc. 4: efeito tyndall
Desc. 5: CD34

Trabalho

Introdução: Os nevos azuis foram descritos inicialmente por Tièche em 1906 e correspondem à lesões pigmentadas, benignas, localizadas e são reconhecidos três subtipos: o nevo azul comum, o nevo azul combinado e o nevo azul celular, sendo esse último o mais raro. Geralmente surge na infância ou adolescência, embora raramente possa ser congênito. A característica comum desses subtipos é a presença de melanócitos fusiformes e dendríticos pigmentados em uma área focal de derme reticular associados a alterações da arquitetura do colágeno dérmico. A coloração azul dessas lesões ocorre devido ao efeito Tyndall de dispersão da luz. A origem do nevo azul celular é desconhecida. Algumas de suas variedades coram para CD34, sugerindo uma origem em células-tronco. Os nevos azuis celulares, originalmente considerados uma forma clínica de melanoma, foi classificado, em 1949, por Artur Allen como uma variante de nevo azul. Apresentam-se como nódulos ou placas azul acinzentadas ou azul amarronzadas de um à três centímetros de diâmetro, apresentando maior tamanho e maior elevação se comparado ao nevo azul comum. Sua superfície é geralmente lisa, podendo ser irregular e em torno de 50% se localizam na nádega ou sacro, 17% em couro cabeludo, sendo as extremidades menos afetadas. As mulheres são mais frequentemente afetadas em relação aos homens. Dermatoscopicamente o nevo azul apresenta um padrão clássico sem estruturas, homogêneo, de coloração azul metálico. Uma peculiaridade destas lesões é o seu amplo espectro de alterações histológicas que podem dificultar o diagnóstico diferencial com melanoma. A principal complicação é o risco potencial de melanoma, no entanto, rara. Os atributos que podem sugerir malignidade incluem mitoses frequentes, atipia citológica de alto grau, necrose ou ulceração tumoral espontânea. O tratamento do nevo azul celular se baseia na excisão que deve incluir a gordura subcutânea para assegurar a completa remoção dos melanócitos dérmicos profundos, que estão frequentemente presentes no tecido subcutâneo. Caso clínico: Paciente, 31 anos, sexo masculino, fototipo 2 de Fitzpatrick , professor , casado, sem comorbidades prévias, apresentava há 5 anos uma tumoração azulada em torno de 3 centímetros em região dorsal de terceiro pododáctilo esquerdo , de consistência fibrosa, bem delimitada (Figuras 1 e 2), assintomática. Não apresentava linfonodo palpável. À dermatoscopia não foi evidenciada rede pigmentar e nem estruturas, apenas uma coloração azul acinzentada homogênea (Figura 3). Na radiografia do pé esquerdo não havia comprometimento ósseo e nem evidência de extensão do tumor às partes moles adjacentes. As hipóteses diagnósticas foram de melanoma maligno nodular e nevo azul. Foi proposto a realização de biópsia excisional . Na histopatologia foi observada lesão ocupando toda a derme, apresentando células melanocíticas fusiformes pigmentadas sem atipias formando feixes em meio à borda de colágeno (Figuras 4 e 5), compatível com diagnóstico de nevo azul celular. O paciente evoluiu com boa cicatrização da lesão, sem recidiva da lesão até o momento. Discussão: O nevo azul celular constitui uma lesão geralmente solitária, assintomática que merece atenção por ser um diagnóstico diferencial de melanoma, devendo ser avaliado e tratado adequadamente. A incidência é maior em mulheres e com localização preferencialmente em região de nádegas e sacro. A lesão apresentada pelo nosso paciente tinha características que destoavam das encontradas com frequência na literatura, com lesão exuberante em pododáctilo, simulando melanoma maligno nodular. Não tem causa conhecida, mas alguns estudos mostram relação com origem em células tronco, como pode ser visto pela presença de CD34 positivo. O diagnóstico se baseia na histopatologia e imunohistoquímica para comprovação, sendo o nevo azul celular positivo para CD34. À dermatoscopia não são vistos estruturas, apenas uma coloração azulada como demonstrado no presente relato. O tratamento consiste na excisão da lesão e seguimento do paciente, não sendo relatado na literatura recidiva da lesão, o que também não foi observado no paciente em questão. Não é relatado ser mais comum em fototipos mais baixos, embora em nosso caso o paciente fosse caracterizado como fototipo 2 de Fitzpatrick.

Imagens

Imagem #1:

Tumoração azulada em dorso de terceiro pododáctilo esquerdo

Imagem #2:

Tumoração azulada de consistência fibrosa em dorso de terceiro pododáctilo esquerdo

Imagem #3:

Dermatoscopia demonstrando padrão clássico sem estruturas, homogêneo, de coloração azul metálico

Imagem #4:

Lesão melanocítica ocupando toda a derme, presença de fuso celular com intensa pigmentação (HE 2X)

Imagem #5:

Células melanocíticas fusiformes pigmentadas sem atipias formando feixes em meio à borda de colágeno (HE 40X)

Referências

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